terça-feira, 21 de junho de 2011

texto meu a concurso

Sarava

Tenho o seguinte texto em concurso. Deixo o link para os meus caros vizinhos irem lá votar!


Se eu fosse um animal seria um atum.

Todo cor-de-rosa. Mas um rosa velho e delicado.
Andaria em bando ou em cardume. Nadava por azuis nunca antes sentidos.

Seria um atum-do-sul ou atum-foguete. Qualquer um que fizesse jus ao mito egípcio e que mantivesse o simbolismo do seu nome: totalidade.

Seria amigo de um precioso cavalo-marinho e ousava perguntar-lhe como era dar à luz sendo pai.

Se tivesse o azar de ser pescado acabaria certamente num prato de sushi bem decorado em vez de numa lata de conserva ou numa sanduíche rápida.

- Para a mesa. – Chama, em tom alto, a minha mãe como se eu estivesse longe.

Estava longe apesar das apenas duas divisões de distância. E o meu aquário mantinha-se sujo com o peixe infeliz. Presumo.

A minha memória é como ele…dá voltas e mais voltas e a maior parte das vezes não se lembra de ter lá estado.

- Vamos lá jantar? – Chama outra vez em tom mais doce e próximo. Mas não era a mãe. Era Constança, uma mulher que me trata como se eu tivesse não muito mais do que dez anos.

Tenho Alzheimer. Mas às vezes sou feliz, quando não me lembro. Presumo.