sexta-feira, 29 de abril de 2011

À Ana com 25


Como eu gosto de escrever cartas.

Enquanto quiser, puder e as receberem, escreverei.


À Ana com 25,


Esta carta podia ser um vestido

Ou umas sandálias com plataforma

Um cesto de flores e um postal

Ou um quadro ou uma mala.

Esta carta podia ser uma caixa de beijinhos

Um apertado xi-coração

Ou uma música dedicada.

Esta carta pode ser uma prenda.

Esta carta sou eu a dizer: gosto de ti.

Esta carta é a nossa amizade crua.

É a forma de estarmos perto.

És também tu.


Com toda a admiração e amizade,


_E se eu fosse puta...Tu lias?_


nota: imagem - obra Love Games de Luis Melo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hoje não me apetecia andar em bicos de pés


As palavras saem rápido como se não tivesse tempo para pensá-las.
Não faço esforço. Mas não gosto da maior parte delas.


Hoje não me apetecia andar em bicos de pés.


Gostava de poder ser escritora.



Gostava de poder dar, a todos, cartas de amor. Dessas que arrebatam.
As mesmas que nos obrigam a ter que recuperar.


_E se eu fosse puta...Tu lias?_

terça-feira, 5 de abril de 2011

Carta de Amor ao João


Carta de amor


As palavras saltam da boca só para te dizer coisas de amantes e amados. Da boca, de resto, apenas beijos mudos. Nervosos.

Beijos que desejam, mesmo com o olhar brevemente tapado. Olhos que vêem apenas encantos.

Encantos que torpedos não conseguem revelar, mas que o corpo denuncia.
Corpo em enlevo que não obedece a ordens racionais. Corpo refém de ti.

Tudo em mim está reflectido no agora, no para sempre e no em ti e para ti.

Prometo-te a eternidade, o infinito e o amor mais romântico.
Prometo-te a submissão do meu querer e do meu sentir.

Rendo-me às prisões já tão alertadas por poetas e pessoas.
Rendo-me nesta carta de amor.

Quisesse eu que estas palavras levassem voz e te assaltassem os ouvidos numa melodia com memória.

Tua,

Marianne