quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

batata-doce com cheirinho a empadão


Sarava!

Sabiam que o cheiro da batata-doce no forno podia ser de um empadão de carne amarelo tostado? Descobri, hoje, quando cheguei para jantar e adivinhava o cheiro que fugia da cozinha vermelha que a minha mãe decidiu visitar. Claro que me desiludi… porque batata-doce não é dos sabores que mais aprecio.

Estive em Madrid. Desenvolvi os meus “S’s” de tanto tagarelar em castelhês (estou a ser modesta, porque até me desenrasco muito bem), e andei como peregrina (e sem promessas). De tanto andar, acho que encontrei músculos que julgava terem desaparecido naturalmente. O que me valeu foi o meu tapa orelhas que me protegia do frio, e me sinalizava em tons de cor-de-rosa felpudos no meio de tantas cabeças cosmopolitas, porque se não perdia-me nos passos cansados.

Ainda em Madrid, perto de Santiago de Bernabéu… uma monte de pilas douradas! Em pleno passeio público e ainda prontas a serem distribuídas gratuitamente. Trouxe uma! Juntamente com duas folhas A4 que se intitulavam de: Arte público y callejero | Los Souvenir del Obelisco de Calatrava. Ou seja, pilas em prol de uma intervenção artística em espaço público que comparava o dito órgão a uma estátua dourada também… e depois…mais reflexões que não importam agora. Gostei, Pierre Valls (o autor) está de parabéns!

Entretanto, deixo-vos um excerto sublime.
«Conheço uma frase ainda mais aterrorizante, mais terrivelmente ambígua do que “eu estou sozinho(a)”, e que é, isolada de qualquer outro contexto determinante, a frase que diz ao outro “eu estou sozinho(a) contigo”. Medite-se o abismo de uma tal frase: eu estou sozinho(a) contigo, contigo estou sozinho(a), sozinho(a) no mundo. Esta pode ser a mais bela declaração de amor ou o mais desesperado testemunho, a mais grave atestação ou protestação de detestação, o estrangulamento ou mesmo a sufocação: quanto a estar só, se ao menos eu pudesse estar só sem ti. Estar sozinho(a) comigo.»
Jacques Derrida (2010), Séminaire La bête et le souverain, vol. 2, Paris: Galilée.

_E se eu fosse puta…Tu lias?_