terça-feira, 20 de outubro de 2009

Hora com a cor da minha gabardine! Halleluia!



A esta hora o dia está com a mesma cor da minha gabardine. Um cinza aguado.

Os dias são compostos por imprevistos. As músicas esquecidas agora ganham som pertinente. As letras, essas abrem as palavras, e portanto as memórias.

Ando a perguntar como se descobrisse, como se o saber nunca me chegasse.

Gosto de me olhar ao espelho e de pensar se hei-de cortar ou não os caracóis, baptizados de maçãs incendiadas.


(pausa para lembrar poemas e poetas)


E hoje bastam-me os telegramas.




_E se eu fosse puta...Tu lias?_


P.S.- Obra de Frederico Ferreira! A frase que adoptei há dias...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Arebaguandi


Sarava!



Esta chuva de dois dias parece-me de cem anos.

Em tempo de reflexões políticas e de campanhas que não acabam, será que ainda ninguém sugeriu que acabassem com os carros forrados a bandeiras e com musicas e falas que ninguém entende?!! É que a única coisa que se retém é que é de algum partido, mas de qual deles, ou o que dizem, ninguém consegue decifrar... e já cansam!


Falando de questões bem mais estimulantes (espero)... Gostava de ser uma pensadora, ou melhor nunca conseguiria ser, mas admiro tanto quem ousa pensar...
Vou citar um dos que li esta semana. Estava a repousar, há tempo, na biblioteca, que já foi de três casas. Tinha pó, daquele que se concubina com os livros, e um cheiro típico de guardado.
Subi as três escadas de madeira que me dá altura para os livros, que descansam dos nossos olhos, nos últimos andares. E peguei num de capa azul e oriundo das índias, com um separador feito à mão com prata dos maços de tabaco: “Comentários sobre o viver” de Krishnamurti.


Quando nos identificamos com outro, isso é indício de amor? Identificação é investigação? A identificação não põe fim ao amor e ao investigar? A identificação sem dúvida, é posse, afirmação da posse; e a posse nega o amor, não é exacto? Possuir é estar em segurança; a posse é defesa, um meio de nos tornarmos invulneráveis. Na identificação, grosseira ou subtil, há resistência; e pode o amor ser uma forma de resistência, autoprotecção? Há amor, quando há defesa?

O amor é vulnerável, flexível, receptivo; é a mais elevada forma da sensibilidade, e a identificação produz a insensibilidade. A identificação e o amor são incompatíveis: um destrói o outro.


_E se eu fosse puta...Tu lias?_


p.s.- pintura de Sarah Maple