Sarava!
“Um laivo de lirismo nunca fez mal a ninguém”.
Posto isto, vou descrever os meus caminhos habituais quase em piloto automático que faço desde casa ao trabalho. Se calhar culpa deste sol, o percurso que repito diariamente parece-me sempre novo.
Desde a curva, da saída para o campo alegre, que me faz espreitar, por entre as casitas e os estendais, o rio trémulo e brilhante sob as pontes.
Depois as bandeiras do Hotel Ipanema que me acenam coloridas como que a dizer “Bom dia alegria!”.
E, hoje, até as ilhas de cabelo, rodeadas pela calvisse, de homens de meia-idade me pareciam simpáticas. Apesar de não me ter apaixonado, até a montra dos chineses da rua da Torrinha me entretinha, com os seus gatinhos de plástico, a pilhas, a mexerem-se.
Pudesse eu escrever histórias, e condimentá-las... e o meu dia estaria completo.
_E se eu fosse puta...Tu lias?_
P.S.- Imagem da obra de Nuno Machado, 138x138cm, acrílico s/MDF lacado, 2010






